19/06/13

Desenhando os vinte centavos

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Por terem um perfil populacional e social diferenciado, as redes sociais não têm, no interior do Pará, o mesmo alcance da capital, mas estão presentes e se devem contaminar pelos movimentos nacionais. Marabá e Santarém, já marcaram os seus eventos.

Esse blog é lido em mais de 80 municípios do Pará. Você, que está lendo isso e mora no interior, comece um movimento. Não importa que sejam 50 ou 500 que saiam às ruas. Saiam, pois, com certeza, há motivos para isso.

Para ilustrar, abaixo vai um comentário, com 20 motivos, de um anônimo, na postagem “Dilma Rousseff é vaiada por muito mais do que 20 centavos.”:

Não é por 20 centavos, é por direitos”, diz um dos recados deixado pelos manifestantes. Pra quem não entendeu ainda: os vinte centavos, um por um:

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0,01 - A corrupção;
0,02 - A impunidade;
0,03 - A violência urbana;
0,04 - A ameaça da volta da inflação;
0,05 - A quantidade de impostos que pagamos sem ter nada em troca;
0,06 – O baixo salário dos professores e médicos do estado;
0,07 – O alto salário dos políticos;
0,08 - A falta de uma oposição ao governo;
0,09 - A falta de vergonha na cara dos governantes;
0,10 - As nossas escolas e a falta de educação;
0,11 – Os nossos hospitais e a falta de um sistema de saúde digno;
0,12 - As nossas estradas e a ineficiência do transporte público;
0,13 - A prática da troca de votos por cargos públicos nos centros de poder que causa distorções;
0,14 - A troca de votos da população menos esclarecida por pequenas melhorias públicas (pagas com dinheiro público) que coloca sempre os mesmos nomes no poder;
0,15 – Políticos condenados pela justiça ainda na ativa;
0,16 – Os mensaleiros terem sido julgados, condenados e ainda estarem livres;
0,17 – Partidos que parecem quadrilhas;
0,18 – O preço dos estádios para a copa do mundo, o superfaturamento e a má qualidade das obras públicas;
0,19 - A mídia tendenciosa e vendida;
0,20 - A percepção que não somos representados pelos nossos governantes.”.

Tentando entender…?!

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Se a presidência da República ainda está tentando entender o que ocorre nas ruas, é um sinal de que o PT precisa, urgentemente, sair dos gabinetes, infiltrar-se nas marchas, e reaprender a entender-lhes os gestos.

Mas prefiro crer que o ministro estava apenas exercitando retórica.

O novo marco regulatório da mineração

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Em princípio programado para abril, pousou ontem (18) na Câmara dos Deputados o projeto do novo marco regulatório da mineração. A presidente Dilma, que em princípio enviaria o texto em forma de Medida Provisória, resolveu envia-lo como projeto de lei.

O embate no Congresso será acirrado, pois os atores interessados são diversos e poderosos e as novas regras poderão gerar aproximadamente R$ 4 bilhões em royalties ao ano.

Os jornalistas Danielle Nogueira e Danilo Fariell detectaram três pontos mestres no projeto: “promover mais competição e eficiência nos processos de pesquisa e lavra; elevar a arrecadação governamental; e converter o Departamento Nacional de Pesquisa Mineral em agência reguladora.”.

As mineradoras vão posicionar as suas tropas para manter as suas conveniências. A CFEM, por exemplo, passará a ser cobrada sobre a receita bruta das mineradoras, o que está correto, pois como está hoje - sobre a receita líquida - a União é tungada: as mineradoras pintam o sete com a contabilidade para achatarem a receita líquida.

Outro ponto nevrálgico será a divisão da CFEM. Hoje 12% é da União, 23% do estado produtor e 65% do município produtor. Os estados do Maranhão, Espírito Santo e Rio de Janeiro, por cujos portos saem os minérios extraídos, querem um pedaço do bolo alegando que são “corredores logísticos” e isso lhes causa impactos a mitigar.

Pará e Minas devem labutar juntos para terem chances de vitória em seus pleitos, pois já saem perdendo desde que, devido ao pesadíssimo lobby da Vale, foi retirado do projeto as “Participações Especiais” sobre grandes jazidas. De qualquer forma, com o aumento das alíquotas da CEFEM, o Pará, que recebeu R$ 524 milhões em 2012 e Minas, que recebeu R$ 974 milhões, verão os valores dobrar.

Oxalá dobre também o IDH do Pará, que, destarte ter experimentado acréscimo de receita, continua a ruminar um dos piores (16º) do Brasil.

18/06/13

Bang Bang em Ananindeua

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Por volta das 9h dessa manhã, o vereador Deivite Galvão (DEM), vulgar e politicamente conhecido como “Gordo do Aurá”, chegava à Câmara de Vereadores de Ananindeua quando foi alvejado por quatro tiros disparados por dois pistoleiros que o tocaiaram de uma motocicleta.

Deivite elegeu-se vereador, em 2012, apesar da sua sabida folha corrida como suposto traficante de cocaína no Aurá, onde, também por suposto, seria o capo di tutti capi do tráfico.

Como eu sempre digo, o problema nas eleições não são os fichas sujas, pois esses todos sabem quem são, dito pela própria Justiça Eleitoral. O quê da questão são os fichas limpas, como o baleado, que apesar de já ter sido preso sob a alegação de tráfico de drogas, até a ocorrência sumiu: a ficha dele, como diz o pessoal do baixo Tocantins, é “limpinha da silva”.

Apesar dos quatro tiros, e na mais perfeita tradução daquele dito popular de que vaso ruim não se quebra, o dito não virou de cujus e está devidamente protegido dos seus algozes, por um batalhão da briosa, no Hospital Metropolitano.

Como esses acertos de contas intestinos só acabam quando terminam, sua excelência vai deixar o leito com, literalmente, gosto de sangue na boca. Quem for podre quebrará, mas os fortes sobreviverão.

A voz rouca das ruas

Na última quinta-feira (13), quando o confronto de manifestantes do MPL com a Polícia Militar de SP mais pareceu uma batalha campal, a imprensa se apressou a fazer uma leitura pejorativa do evento, acusando os participantes, indiscriminadamente, de vândalos.

Ontem (17), com mais de 60 mil pessoas (cálculos da PM) nas ruas de São Paulo, e outros tantos em todo o Brasil, inclusive Belém, que arregimentou cerca de 10 mil pessoas, e em Brasília, que estacionou na frente do Palácio do Planalto, a imprensa já era só gentilezas.

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As editorias já classificavam os protestos como “cheios de simbolismos e pacíficos” e que os incidentes de vandalismo que ocorreram “foram atos isolados” de uma dezena de insurgentes, que não tisnaram a “legitimidade” dos manifestantes.

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Depois dos eventos das “Diretas Já”, dos quais eu participei ativamente em 1984, para mim esse foi o maior evento cívico que o Brasil experimentou até agora.

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Idem, foi a maior demonstração de hipocrisia que eu já presenciei da grande imprensa nacional, que admitiu - ainda bem - que muda de ideia quando não consegue, com as suas manchetes manipuladoras, mudar a ideia da opinião pública.

Desculpem-me a troça, mas resta alguém aí que ainda não entendeu o valor daqueles 20 centavos?